Instrumentos da Política Monetária Brasileira

30/07/2015 20:55

É importante trazermos esse tema para entender os movimentos que o Governo Federal vem fazendo com o aumento da taxa de juros, SELIC, e também o ajuste fiscal.

 

Tudo que engloba essas medidas faz parte da Política Monetária.

Inicialmente, é o Banco Central que tem a responsabilidade de implementar a Política Monetária.

 

Os instrumentos de Política Monetária são as principais ferramentas que o Governo utiliza para influenciar o nível de produção e emprego e, principalmente, controlar a variação dos preços - Inflação.

Atualmente o principal objetivo da política monetária tem sido o de manter a estabilidade de preços, ou seja, justamente evitar a ocorrência de inflação ou deflação.

No Brasil, usamos o modelo de política monetária chamado de Meta de Inflação. Neste modelo, o principal instrumento utilizado é a taxa de juros, que é determinada para cumprir a meta estabelecida para a inflação do ano.

Basicamente o Banco Central gerencia o nível da Taxa de Juros real (que é a taxa de juros nominal descontada da variação da inflação do período). O aumento da taxa de juros real tende a levar a uma queda na atividade econômica e vice-versa.

 

Para conter a Inflação, - aumento de preços, o Banco Central vem aumentando a taxa de juros gradativamente.

Com esse aumento de taxa, o dinheiro fica mais caro, diminui-se o dinheiro em circulação. Isso tende a conter a expansão do crédito e, assim, evitar o crescimento inflacionário.

Em resumo, o aumento do custo do dinheiro  na atividade econômica - quanto maior a taxa, menor é a demanda. Com menos pessoas e empresas consumindo bens e serviços, os preços tendem a cair.

 

Quando o Banco Central:

Quer incentivar a atividade econômica, ele aumenta a quantidade de moeda (de liquidez) da economia.

Quer restringir a atividade econômica, ele reduz essa liquidez.

 

A grosso modo, podemos observar o quadro abaixo:

 

                    Atividade Econômica
Juros Sobem Juros Caem
Menos Dinheiro em Circulação Mais Dinheiro em Circulação
Empréstimos mais Caros - PF/PJ Empréstimos mais Baratos - PF/PJ
Pessoas consomem menos Pessoas consomem mais
Menos Investimento Mais Investimento
Economia Desacelera Economia Cresce
Preços caem Preços sobem
Retém a Inflação Gera a Inflação
Dívida Pública Cresce Dívida Pública Diminui

 

Temos vários outros pontos a serem observados. Por exemplo, o aumento na taxa de juros também gera o desemprego em função da falta de Investimento das empresas e o Governo capta mais recursos via emissão de títulos da sua própria dívida, Tesouro Direto.

O Governo tem outras alternativas para segurar a inflação, quais sejam, diminuir os gastos com a máquina pública e investir mais em infraestrutura. Isso desafoga a Indústria que por sua vez produz mais, disponibiliza mais produtos para a população e aumenta a concorrência. Naturalmente os preços são flexibilizados e o Governo aumenta sua arrecadação com impostos.

 

Taxas de Juros a níveis altos também atraem Investimento externo e por vezes especulativo. Taxas de Juros em Economias sólidas de outros países são muito baixas em comparação ao Brasil, com isso, o fluxo de investimento fica atrativo para fundos que captam recursos do exterior.

Uma queda abrupta nos juros poderia deixar esses investimentos menos atrativos gerando uma fuga de capitais e consequentemente alta no dólar. (Investidores precisam vender reais e comprar dólares para tirar recursos do Brasil. Quanto mais se compra dólares, maior sua cotação).  Capital especulativo não é saudável para economias emergentes, mas há controvérsias.

 

Por outro lado, menos impostos , taxas de juros mais baixas e menos burocracia atraem investimentos saudáveis do exterior, já que o Brasil é um país que gera muitas oportunidades.

 

O Banco Central também pode utilizar outros instrumentos de política monetária, que visam controlar a oferta de moeda na economia.

 

Além de gerenciar a Taxa de Juros, o governo faz política monetária atuando sobre o Mercado Financeiro de três maneiras básicas: operações de Mercado Aberto (open Market), recolhimento de compulsórios e Redesconto.

De uma forma bem resumida:

  1. O Mercado Aberto

As operações de Mercado Aberto são os procedimentos mais comuns por meio dos quais os Bancos Centrais controlam a quantidade de moeda na economia:

Quando o Banco Central compra títulos ele paga em moeda, o que significa uma elevação do volume de reais na economia.

Já quando o Banco Central vende títulos, recebe moeda como pagamento, o que significa menos reais em circulação na economia.

  1. Recolhimento compulsório

O recolhimento compulsório é outro instrumento que controla a liquidez, através do total dos depósitos a vista, a prazo, poupança e etc., que os bancos obrigatoriamente recolhem ao Banco Central. O volume de recursos depositados compulsoriamente no BACEN influencia a capacidade dos bancos de emprestar. Quanto maior o depósito compulsório, menor a capacidade dos bancos de empresar e vice-versa.

  1. O Redesconto

Por último, temos as operações de redesconto, que são empréstimos que o Banco Central faz às instituições Financeiras que tenham necessidade de Liquidez. Ao utilizar estre instrumento o BC está ‘colocando’ dinheiro na Economia. Especialmente em países que não existe a figura do depósito compulsório, as operações de redesconto são importantes instrumentos de controle da quantidade de moeda na economia.

 

Notem que houve uma certa repetição de conceitos várias vezes. Isso é proposital para fixar o conceito.

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